Como condomínios do litoral lidam com a gestão do lixo no Verão

No condomínio Villa Rica, em Balneário Camboriú, os recicláveis são separados e geram moeda consciente ao condomínio No condomínio Villa Rica, em Balneário Camboriú, os recicláveis são separados e geram moeda consciente ao condomínio

Adaptações na logística de coleta, conscientização para os recicláveis como moeda e zelo na identificação e separação dos materiais são boas práticas em Balneário Camboriú e Itajaí

O elevador de serviço com sacos de lixo acumulados até o teto foi uma cena comum para os funcionários do edifício Camboriú Park, em Balneário Camboriú, da última semana de 2018 à primeira deste ano. No período ápice do turismo no Litoral Norte, os funcionários chegaram a recolher uma tonelada de lixo em um só dia no prédio de 128 apartamentos.

O crescimento no volume de lixo no condomínio acompanha uma combinação que já é histórica na cidade: semana de festas, turismo aquecido e maior produção de resíduos. Apenas no dia 1º de janeiro de 2019, a Ambiental Limpeza Urbana e Saneamento, responsável pela coleta no município, recolheu 399 toneladas de resíduos sólidos comuns, ou seja, que foram das lixeiras direto para o aterro sanitário em Itajaí.

Mas, bem antes da passagem do caminhão da coleta, que é diária no Centro durante a alta temporada, muito trabalho e despesas estão sob a responsabilidade dos condomínios. Eles precisam estar preparados para o inchaço populacional e uma gestão sustentável dos resíduos. Enquanto para muitos moradores a atividade é quase invisível, muitos condomínios identificam, separam, destinam e até arrecadam recursos com os resíduos produzidos. Quanto mais atitudes o síndico adota nesse sentido, mais os moradores parecem aderir.

A coleta interna no Camboriú Park é feita por duas pessoas da zeladoria. Elas esvaziam os compartimentos com as lixeiras de coleta seletiva nos 16 andares e descem com o material por um elevador que já é reservado para a tarefa. Os moradores devem levar ao depósito de cada andar os resíduos já separados e bem embalados, inclusive garrafas pet com óleo de cozinha utilizado. Mas, no Verão, com a frequência das pessoas que desconhecem ou ignoram as regras do condomínio, a gestão do lixo vira um desafio.

“Depois do Natal, o volume de lixo produzido foi tamanho, que precisamos contratar um funcionário temporário para essa função. O volume de lixo também aumenta a necessidade de limpeza de corredores, depósitos. Além disso, foi necessário reforçar a gramatura dos sacos de lixo, porque muitos estavam se rompendo”, relata o síndico Emerson Capri.

O condomínio está projetando uma nova central para os resíduos no segundo pavimento, com um mecanismo para a retirada do lixo com diferentes destinações (orgânico e reciclável) e separadores até a lixeira externa. O objetivo é separar melhor, facilitar a operação para os funcionários do prédio e expandir entre os moradores e turistas a responsabilidade e a consciência com o lixo que geram.

Resíduos se tornam “moeda consciente” para o condomínio

Em um condomínio fechado de casas, com ruas que permitem a passagem do caminhão de coleta, como o Villa Rica, em Balneário Camboriú, a administração poderia apenas deixar a coleta ao encargo dos moradores, sem maiores transtornos. Mas, há um ano, o ato de separar resíduos ganhou aliados e se reverteu em moeda. Nas quartas-feiras de coleta seletiva, os funcionários da manutenção passam antes do caminhão em frente às residências e resgatam materiais com valor para empresas de reciclagem.

Alumínio, papelão e papel, por exemplo, são vendidos a uma empresa e pagam despesas do condomínio relacionadas ao manejo do lixo, como materiais usados nas áreas comuns.

O dinheiro também serve para outras benfeitorias ao local e à equipe. Em 2018, contribuiu com a festa de fim de ano dos 16 funcionários e seus familiares. O gestor predial Gustavo Bonissoni, que auxiliou na implantação da medida, diz que a atenção com a separação é percebida pelos moradores e atrai o engajamento de muitos. O síndico Luiz Alberto Ziembick considera a iniciativa uma “moeda consciente” para equilibrar o meio ambiente.

Lixo tem outro nome no Brava Home Resort

Condominio Brava Horta Site
Horta e composteira do Brava Home Resort, em Itajaí, mantidas com os resíduos orgânicos de 50 dos 323 apartamentos

Rejeito é a palavra usada no condomínio de alto padrão Brava Home Resort, em Itajaí, para identificar o que não pode ser reutilizado e será descartado para o caminhão da coleta municipal. Percorrendo as áreas comuns do condomínio de 14 torres e 323 apartamentos, na cidade vizinha a Balneário Camboriú, leem-se plaquinhas com o nome de diversos tipos de materiais reaproveitáveis, menos a palavra lixo.

A gestão de resíduos do condomínio vai muito além do orgânico/reciclável. Com os recipientes todos identificados por tipo de descarte, cerca de 25pessoas do quadro de funcionários são envolvidas diretamente na coleta dentro do condomínio. Não há um funcionário específico para cuidar da separação. Óleo, lâmpadas, remédios, pilhas e baterias, papel e papelão, plásticos, vidro, metais, objetos cortantes, cada coisa tem o seu lugar. As lixeiras são identificadas, o material separado é levado ao depósito até se obter certo volume para comercializar.

As lixeiras identificadas estão em cada andar e, no térreo e na garagem, existem “Ecopontos” para que materiais maiores, como monitores, caixas e outros volumes para descarte sejam depositados. A cada quinzena durante o verão, em média, são recolhidos 400 kg de papelão, 40 kg de embalagens pet e até 500 lâmpadas, baterias e pilhas.

Os rejeitos são uma pequena parte de todos esses resíduos coletados no condomínio. Até os alimentos orgânicos, como cascas de frutas e legumes, servem para a grande composteira que nutre a horta do Brava Home Resort. São considerados rejeitos orgânicos, apenas os derivados de leite, de carnes e restos de alimentos cozidos. Um vídeo elaborado pelo condomínio explica todas as regras. O Gerente predial do Brava Home Resort, Carlos Roberto Borba, explica que 50 moradores aderiram à separação de resíduos específicos para a compostagem.

Nessa cadeia da gestão de resíduos estão de empresas de coleta em resíduos especiais até catadores de recicláveis cadastrados. Os materiais vendidos a empresas geram recursos para placas, adesivos e materiais relacionados à coleta, campanhas e eventos educativos e descontos na aquisição de material de limpeza.

Ambiental faz recomendações aos síndicos

Em Balneário Camboriú, onde o volume de lixo aumenta a cada feriado ou período de férias e festas, duas recomendações básicas são feitas aos síndicos pela Ambiental Limpeza Urbana e Saneamento: zelar pela separação dos resíduos recicláveis dos comuns e manter a atenção para os horários em que a coleta passa pelo prédio. O depósito nas lixeiras após a passagem da coleta gera odor, atrai animais e outros problemas.

“O condomínio deve adequar a lixeira com contentores para armazenar os resíduos sólidos comuns separados dos recicláveis. As cooperativas de triagem cadastradas pela prefeitura estão sofrendo com falta de material, por isso solicitamos a todos o engajamento na coleta seletiva municipal”, explica Thiago Munhoz, gerente na companhia.

A Ambiental oferece palestras e cursos de educação ambiental com ênfase na coleta seletiva, que podem ser ministrados nos condomínios.

Dias de coleta em Balneário Camboriú

Resíduos sólidos comuns
Região central - 2ª a sábado na baixa temporada e diária na alta temporada
Demais bairros – 3 vezes por semana.

Resíduos recicláveis
Toda a cidade – 1 vez por semana.

Resíduos sólidos especiais
Móveis, eletrodomésticos e animais mortos de médio e grande porte - serviço gratuito, mediante prévio agendamento em horário comercial.
Informações sobre coleta e palestras: (47) 3169-2900.

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Síndico Profissional (sem administradora) - 5.4%
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